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Domingo, 30 de Setembro de 2007

A minha família canina I

A vida ensinou-me que só eles são capazes de dar amor incondicional. Para mim são tão importantes como as pessoas, por vezes mais. Fico mal quando os vejo abandonados e doentes. Por isso tenho dez em casa. Em casa e no quintal, que felizmente moro no campo. Não posso ter mais porque recebi um ultimato e não posso trazer mais nenhum. Hoje vou falar de dois deles: o maior e a mais pequenina, amigos inseparáveis que não se largam nem para comer e dormir. Ele chama-se Bóris e tem quatro anos. É o único cão de "marca" cá de casa, mas tal como os outros estava condenado a morrer. Está cá desde as seis semanas, lindo, doce maravilhoso, amigo e... gordo. Adoro o meu Bóris, meu grande amigo, que tão bem percebe e sabe consolar quando estou triste. Para além de tudo é futebolista e tem mau perder. A amiga tem 5 quilos, chama-se Leca, (Meia-Leca ficava grande demais) e tem 3 anos e meio. A Leca veio cá para casa com pouco mais de duas semanas. Não tinha dentinhos e não sabia comer sozinha. Até hoje me pergunto que espécie de "pessoa" teve coragem de pôr aquela coisa tão fofa no contentor do lixo. Mas teve. Os senhores da recolha do lixo ouviram-na "chorar" e levaram-na para o canil municipal. Foi onde a vi e não consegui deixá-la lá, onde ia com certeza morrer. Quando me dá tantos miminhos e olha para mim com aqueles olhos doces penso que a dita "pessoa" não sabe o que perdeu. Agora as fotos destes meus lindos. Os outros virão depois.

                                                              

 

Jokas da Dinha

sinto-me: Babada

publicado por Maria às 22:45

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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

O comboio deixou-me a ver navios.

Conduzir não é das coisas que mais gosto de fazer. Muito menos em Lisboa. O comboio da Fertagus dá-me um jeitão sempre que preciso de me deslocar à capital. É de hora a hora, a viagem é confortável, anda certinho...  Pensava eu. Hoje, mais uma vez, lá me preparei para apanhar o tal, que era suposto andar a horas certas. Comprei o bilhete, ocupei o meu lugar e fiquei à espera da partida. O tempo foi passando e... nada. Passou um quarto de hora e lá disseram que havia uma avaria. Depois disseram que não havia previsão para a partida, quem quisesse podia receber o valor do bilhete. As pessoas começaram a sair, algumas bastante aflitas, com o avião para apanhar ou reuniões importantes. Eu também saí, para me informar se poderia utilizar o bilhete já validado, no comboio da hora seguinte. Então aconteceu o incrível: Enquanto fui ao guichet...  o comboio foi-se embora! Ninguém avisou, e grande parte dos passageiros ficou a ver navios. Como é que pode?

 

Jokas da Dinha

 

sinto-me: pasmada

publicado por Maria às 23:32

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

AINDA HÁ MILAGRES!

Hoje tive a prova de que ainda há milagres. Há quatro anos, por altura do Natal, o meu meu pai, na altura com 74 anos, foi presenteado com um diagnóstico de neoplasia maligna do cólon. Seguiu-se cirurgia de urgência, sessões de quimioterapia e um futuro muito incerto. Tudo isto nos deixou de rastos, sobretudo a ele. Já anteriormente o meu pai tinha sido sujeito a uma cirurgia na coluna cervical, devido a mielopatia grave. Recuperou algum movimento, mas a marcha ficou seriamente comprometida. O panorama não estava nada animador. Quando o mundo dos homens não proporciona conforto nem esperança, muitos procuram conforto no eu interior ou no sagrado. Também senti essa necessidade. Acredito que Deus também é Mãe e foi à Mãe que pedi socorro nos momentos mais difíceis. Pedi à Mãe que me desse força para ajudar os que estavam à minha volta. Pedi à Mãe que lhe permitisse viver com dignidade ou partir sem dor. Já tinha sofrido muito. A certa altura recusou-se a fazer mais exames ou tratamentos. Disse que não se sujeitava mais àquilo, já tinha vivido o suficiente, queria ficar em paz. Que direito tinha eu de impor mais sofrimento? Falei com os médicos que disseram para o deixar estar como queria. Em caso de recaída deveria contactá-los para serem tomadas as medidas necessárias. Passaram-se cinco anos, serão seis no próximo Natal. Nunca deixei de estar preocupada, nunca deixei de pedir ajuda à Mãe do Céu. Com muita subtileza consegui convencê-lo a fazer novos exames para saber qual era a situação. Fez uma TAC e análises específicas para verificar os marcadores tumorais. Hoje soubemos os resultados. Hoje fiquei a saber que não existem quaisquer vestígios da doença.


 

 

 

 

 

sinto-me: Grata e feliz

publicado por Maria às 23:00

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Domingo, 9 de Setembro de 2007

Parece que foi ontem.

 

Estou a descobrir que o meio da vida é falar de factos importantes que se passaram há vinte anos e dizer:
- Parece que foi ontem!
Esta frase começa a ter um significado mais profundo, mais compreensível para mim. Parece que foi ontem que os meus filhos nasceram. O seu pequeno rosto ficou para sempre gravado na minha memória, com uma nitidez fantástica. Cada traço, os gestos das mãos, a cor e os jeitos do cabelo. Ainda ontem eram bebés, a depender de nós par tudo, agora são dois homens. Uns matulões, giros que se fartam e têm a vida deles. Encho-me de orgulho e satisfação quando os vejo progredir na vida, a discutir as suas escolhas ou a confidenciar os seus segredos. Nem tudo foi fácil, crescer traz conflitos, crises, sofrimento. Agora, quando olho para trás descubro que o mais importante foi o amor, firmeza nalgumas ocasiões, tolerância noutras. Pelo resultado obtido permito-me pensar que fizemos um bom trabalho. Os nossos meninos são uns homens, mas continuam a ser os nossos meninos.
 

 

sinto-me: No meio da vida

publicado por Maria às 23:03

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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

HOMENAGEM À MINHA AVÓ

Lembro-me bem dela. Chamava-se Quitéria, sempre aprumada e decidida. Usava um carrapito de cabelos grisalhos e quase sempre o lenço atado ao pescoço. Tinha a passada rápida, o olhar directo que parecia ver para além do que lhe queríamos mostrar. Vestia-se de cinzento, sempre com um grande avental engomado. Era uma pessoa diferente. Os outros pediam-lhe conselhos, respeitavam-na e temiam-na. Quando era criança, as meninas não iam à escola, muito menos as meninas que viviam no meio das serras. Mas ela aprendeu a ler. Sozinha! Contou-me que guardava os jornais que vinham a embrulhar as compras, depois perguntava aos rapazes que iam à escola o nome das letras e começou a juntar os sons. Foi assim que aprendeu e a partir daí leu tudo o que apanhou a jeito. Foi especial.

Recordo-a a cuidar das suas flores, dos lindos jardins que deixou pelos locais onde permaneceu. Todas as plantas tinham um nome, uma história, uma utilidade. Eram também a sua farmácia. Parte do seu dia era dedicado aos cuidados com o jardim. Com a rega, a monda, a apanha das sementes, as plantinhas novas e o arranjo constante da terra, com as mãos nuas, enrugadas, sensíveis.  Aquelas mãos tinham amor. Lá andava ela, com um chapéu de palha enorme, a guiar rebentos, a apanhar folhas secas, a admirar tanta beleza e a inebriar-se com os perfumes das flores. Atrevo-me a pensar que fui mais uma das flores do seu jardim. A minha infância ficou repartida pelas estações do ano, o adormecer e o acordar da natureza. Nos dias frios ficávamos na cozinha, junto do fogo. A chocolateira de cobre tinha sempre água quente. Em cima da trempe de ferro aparecia uma frigideira velha, preta de tanto uso. Então com as mãos trémulas, punha azeite, cebola às rodelas, depois as batatas cozidas que tinham sobrado do almoço, cortadas fininhas e por fim envolvia tudo com ovos. Que cheirinho! Era um petisco só nosso, temperado com o sabor da ternura, tão delicioso que ainda o sinto. Depois vinha a caneca do chocolate quente. Tudo isto era feito com lentidão, gestos calmos de mãos sábias. Então eu pedia:

- Avó, conta-me uma história.

Ela sorria, com um sorriso doce na boca já sem dentes, olhar brilhante e respondia:

- Qual? Já te contei todas.

Confortada com o calor do lume, aconchegava-me na cadeirinha de palha e o entardecer, ao som da sua voz cadenciada, envolvia-nos com a magia de Era uma vez... Eram princesas, fadas e rainhas, um mundo de sonho para onde era transportada pelo poder da imaginação. Eram as histórias do João de Calais, O Menino Guilherme e o Seu CPiloto, Os Meninos da Estrela de Oiro na Testa, a Branca Flor e tantas, tantas outras que agora recordo com tanto carinho e saudade.

Numa tarde solarenga de Primavera pegou-me pela mão e disse:

- Hoje vamos dar um passeio.

E lá fomos andando pelo rego que trazia a água da ribeira até às hortas. Quando chegámos à ribeira chamou-me a atenção para as paredes de pedra que já tinham sido uma casa. Era quase só um amontoado de pedras e estava tudo cheio de silvas. O ambiente era verde, com lucernas da luz do sol por entre as folhas dos amieiros e dos plátanos. Ouvia-se o som  da água da ribeira a saltitar por entre as pedras polidas e o som da brisa a passar nas folhas. O nosso silêncio foi interrompido pela voz da minha avó:

- Sabes o que era um Pisão? Aqui na ribeira havia muitos. Pareciam dois braços grandes de madeira e com a força da água, batiam, batiam nos tecidos de lã. As mantas vinham dos teares ralinhas, pareciam uma rede, eram pisadas no Pisão, com azeite, água,  depois com greda e água quente para lavar. Ficavam limpas, grossas e quentinhas. Também havia um tecido que era pisado e lavado no Pisão. Chamava-se soriano e servia para fazer roupas quentinhas, calças, casacos e saias. O povo dizia que no Pisão era assim:

Água quente,

Água fria

E vá de pancadaria!

Fiquei a imaginar como seriam os Pisões e o barulho que faziam a bater nos tecidos, de forma ritmada, com os seus dois braços. Ela continuou:

- Aqui havia um Pisão e nesta casa morou a Louca dos Pisões.

Sentámo-nos numa pedra grande e a brincar com as mãos na água preparei-me para ouvir A história da Rosa. Era uma rapariga pobre, linda como os anjos, que se apaixonou pelo José, seu vizinho. Os dois juraram amor eterno, mas não quis o destino que assim fosse. O José vivia com umas tias solteironas, beatas, mas de posses. Entenderam elas que o sobrinho havia de ser padre e mandaram-no para o seminário. O José prometeu à Rosa que nunca chegaria a ser padre e voltaria para ela. Mas foi padre e a Rosa ficou louca com o desgosto. Para sempre ficou à espera que o seu Zé cumprisse a promessa. Conta-se que cada vez que um homem passava pelo estrada, mal o avistava, a Rosa corria feliz a dizer:

- Vem aí o meu Zé.

Mas logo que o engano se desfazia, murmurava cheia de desgosto:

- Ai, não é.

Foi um história comovente e triste que nos trouxe melancolia no regresso a casa.

Um dia estavamos as duas a cuidar das plantas, com as mãos metidas na terra húmida, quando ela me explicou a diferença entre os Brincos de Princesa e Brincos de Rainha. Fui então surpreendida com a fase:

- Sabes? Eu já vi uma rainha.

Naquele nosso mundo povoado de histórias, duendes e fadas, príncipes e princesas pensei que era mais uma. Mas não era assim.

- Pois é minha menina, vi uma rainha de verdade, de carne e osso. Chamava-se Amélia, era muito bonita e com ela vinha um homem muito gordo que era o rei. Passaram ali na Alcaria montados nuns cavalos e foram até ao Correpito. Era tanta gente, ricos e finos, vestidos com roupas que as pessoas daqui nunca tinham visto. O povo veio de longe para os ver passar. Uma mulher atirou uma hortense à rainha, ela apanhou-a no ar, agradeceu com a cabeça e colocou-a debaixo do rabo.

Na minha memória ficou a imagem de uma rainha que não devia ser lá muito bem educada.

Eram assim os nossos dias, as nossas tardes. Momentos de magia onde o imaginário se expandiu para dimensões novas e fantásticas. A minha avó deu-me uma infância feliz, ajudou a construir tudo aquilo que sou.

- Onde quer que estejas avó, quero que saibas que permaneces nas histórias que me contaste e nos momentos em que as partilho com os mais novos.

Jokas da Dinha

 

 

 

 

 

 

sinto-me: Com saudades.

publicado por Maria às 17:03

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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

DE BARRIGA CHEIA!

Hora do almoço. Arranjo o tabuleiro com a sopita, franguinho e fruta. Com ar enjoado, ela diz-me:

- Ai filha, não me apetece nada. Não tenho vontade nenhuma de comer.

E o tabuleiro volta para trás. Ao lanche o iogurte marchou. Chega a hora do jantar. Volta o tabuleiro com  o peixinho cozido e a fruta.

- Não sei o que tenho, não me apetece comer. Não quero comer nada.

Volta o tabuleiro para a cozinha.

Mau, ao almoço não come, ao jantar não come. Deve estar doente. Tenho de marcar consulta para a médica. Mais tarde vou fazer umas arrumações na despensa e desvenda-se o mistério. As tais bolachinhas redondas com chocolate lá dentro, que o João adora e estavam em promoção no Lidl tinham desaparecido. Três pacotes! Só espero que agora não fique doente a sério. É assim a segunda infância e os papéis invertem-se.

 

Jokas da Dinha

sinto-me:

publicado por Maria às 19:58

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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

"A MENINA QUE NUNCA CHORAVA"

 É o título do livro, de Torey Hayden, que acabei de ler. Trata-se da continuação de “A Criança que não Queria Falar”. Gostei mais do primeiro. Este aparece de uma forma mais forçada e menos envolvente. De qualquer maneira, ambos são histórias de vida, muito interessantes e comoventes. Contam a história verídica de uma menina, com uma inteligência notável, proveniente dum meio extremamente degradado a todos os níveis. O relato inicia-se quando a menina, aos seis anos, vai para uma turma de educação especial, quase com um rótulo de criminosa, traumatizada, rebelde, sobretudo vítima. O primeiro livro conta as vivências, avanços e recuos do percurso escolar durante um ano lectivo, e a ligação que se estabelece com a professora (Torey Hayden). O segundo livro relata o reencontro das duas, já na fase da adolescência e até à idade adulta. É daquelas leituras que fazem chorar, comover e pensar que este nosso mundo, às vezes , é mesmo cão (sem ofensa para os ditos). 

 

Jokas da Dinha

 


publicado por Maria às 13:07

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Domingo, 2 de Setembro de 2007

A culpa é da televisão

Estas férias foram de facto diferentes. Tenho outra vez bebés. Não são daqueles pequenos, tão queridos, rechonchudos e nos dão tanta alegria; são dois bebézões, como se costuma dizer, na terceira idade. Mas os cuidados são quase os mesmos. E pronto. Aqui passei as ricas férias em casa. Então apercebi-me da desgraça que se chama televisão. Meu Deus, parece que fizeram fotocópias uns dos outros e piores que  o original. Não há pachorra! E foi assim que vim parar à blogosfera. Com os destaques do Sapinho e depois com os links desses, fartei-me de cuscar por esses blogs fora. E encontrei muita coisa boa. Partilhei coisas engraçadas, ri que me fartei, mas também me emocionei e chorei noutras ocasiões.  Fiquei fã de alguns, li-os de fio a pavio e continuo a cuscá-los. Qual televisão! A blogosfera é muito melhor e tem mais variedade. De repente passou-me uma ideiazinha pela cabeça. E se fizesse um? Era engraçado. 

sinto-me: Aii! Amanhã vou bulir.

publicado por Maria às 09:43

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