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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

O nosso Zé partiu

O Zé morreu. Assim, de repente, aos 48 anos. Foi para o hospital porque estava com taquicardia, ainda a conduzir e umas horas depois estava morto.  "Embolia pulmonar maciça, não havia hipótese de o salvar " , - disseram eles. Frios, cheios de regras, com tão pouca humanidade. Quando parecia que tudo ia mal, o pior acontece e a Maria ficou sem o marido.  Agora está só, sem emprego, sem  o Zé, com uma filha a estudar. Deus está distraído ou é demasiado grande para coisas tão pequenas como nós.

- Zé, foste embora! Como é que posso acreditar nisto?

Crescemos juntos, fomos às mesmas festas, pregámos as mesmas partidas. Depois os namoros, os casamentos, a chegada dos filhos. A vossa Ana, o nosso João. Escolhemos-vos para padrinhos dele, porque eram os nossos melhores amigos. Tantas coisas feitas em conjunto, férias, passeios, almoços e jantares, umas vezes na vossa casa, outras na nossa. Éramos tão amigos que as nossas vidas corriam a par. Agora foste embora e vamos ter que tratar do que resta de ti.

Queria tanto acordar e saber que foi só um sonho mau.

Oiço a tua voz, a tua maneira de rir, o teu sentido de humor tão perspicaz, mas já não podemos falar contigo.

Como é que vou olhar para a Ana e para a Maria? Como as vou consolar se não encontro consolo? Porque é que isto aconteceu? Vocês eram o casal mais unido e mais amigo que conheci. Juntos ultrapassaram tanta coisa, sempre com o apoio um do outro. Agora ela já não te tem para lhe mostrares que a vida é bonita, que vale a pena viver. Eras tu que gostavas da vida. Como é que vamos viver com esta dor?

Como é que elas vão viver sem ti?

Ninguém está preparado para isto.

 


publicado por Maria às 07:02

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